25 DE MAIO - DIA NACIONAL DA ADOÇÃO: UMA REFLEXÃO VIVENCIAL

 


Quando abordamos o tema da Adoção no Brasil nos deparamos com um uma delicada realidade, escalonada entre a não garantia do direito da criança ou do/a adolescente de estar em uma família e a angústia de quem passa a ter a Casa de Acolhimento como uma referência quase que permanente da expressão do cuidado.

Poderia começar esse texto de forma mais serena, mas diante do quadro preocupante, que inflam os já conhecidos “Abrigos”, em um país de intensos desmontes de direitos isso é quase que uma “odisseia’. A Legislação Brasileira é muito clara em sua base teórica, apontando que a convivência familiar e comunitária é um direito fundamental de crianças e adolescentes garantido tanto na Constituição Federal (artigo 227), como no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Temos uma realidade preocupante em Casa de Acolhimento – um número crescente de crianças e adolescentes a espera de uma família. Só para ilustramos essa realidade, hoje, mesmo com o advento da Nova Lei da Adoção (2009) e com o Cadastro Nacional da Adoção (CNA), essa fila parece que ainda nada muito vagarosamente. Seja por desconhecimento do processo de Adoção em si ou dessa realidade conjuntural. Mas ouso dizer também que há uma necessidade de rompimentos de inverdades e preconceitos, alimentados em nossa cultura sobre a adoção.

Posso categoricamente apontar que a Adoção NÃO É CARIDADE, mas deve ser entendida e acolhida como a garantia de um direito essencial na vida de qualquer pessoa – o DIREITO À UMA FAMÍLIA. Cabe inclusive compreender que esse conceito se estende muito além daquela ideia de uma Família formada unicamente por um casal – as tradicionais “famílias de propaganda de margarina”. A Legislação é bastante ampla em apontar a adoção por diversas configurações familiares, inclusive por pais e mães solos.

Ilustrando um pouco mais essa realidade, segundo dados atuais do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) e do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos (CNCA), administrados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no Brasil, temos uma estimativa de 1 criança em situação de abrigamento para 6 pretendentes à adoção, então vem a constante indagação: Porque essa conta não fecha? Porque ainda existem crianças e adolescentes em Casas de Acolhimento, sem perspectivas de adoção? Para responder tal indagação é necessário irmos a vários fatores, que perpassam desde o véu da desinformação (ou pré-juízos) da grande parte da sociedade,  o perfil muitas vezes buscado e idealizado de filhos/as, temores em adotar uma criança “mais velha” ou um adolescente, a uma insistência ao “biologismo” sobrepondo inclusive os laços afetivos, assim como que em algumas circunstâncias de ações por parte da Justiça que acabam por conduzir a uma morosidade na resolutividade de processos. Faz-se preciso avançar muito ainda neste campo.

Se olharmos para a história da Igreja, iremos logo nos depararmos com a figura de São José, Pai por Adoção de Jesus Cristo, apresentando-nos de forma divina que os laços de afeto são maiores que qualquer condução definida pelo “sangue”. Reportarmos a ternura que o Santo acolheu sua paternidade afetiva, sendo exemplo e mestre ao Mestre Maior.

Sou Pai – isso é a minha definição maior. Fiz a opção pela adoção com muita consciência. Constituí família quando rompi o véu da desinformação e passei a acreditar que filhos chegam, é um “encontro de almas” que só na vivência do amor puro encontramos resposta - isso é DIVINO! – isso é FRANCISCANO!


Conheci meu filho há 8 anos atrás, através de um Grupo de Apoio a Adoção, aqui em Teresina (Piauí). Logo que vi aquele rostinho na foto, senti uma força enorme pulsando dentro de mim - eram as dores do “parto afetivo”-, que tal como em Santo Agostinho, “inquietou o meu coração”. Tive a exata certeza: eis meu filho que já me aguarda.  O desejo de abraçar, cuidar e principalmente AMAR foram (e permanecem) intensos. Não hesitei e busquei logo fortalecer a aproximação com meu filho, dando prioridade na entrada ao Processo de Adoção junto à Vara da Infância e Adolescência e em conjunto, respeitando os trâmites e o tempo (principalmente o do meu filho), fui gradativamente cultivando as sementes do afeto junto ao meu pequeno/grande João.

Não sem razão, o início foi desafiante, até porque as marcas impressas (e graças a Deus, ressignificadas) de estar em uma Casa de Acolhimento estavam ali nos olhos e nas expressões daquela criança, mas nada que com muito zelo e cuidado não pudessem ser remodeladas - fomos também colhendo os frutos do Amor Assumido e que direciona milagres. Em pouco tempo já não éramos Fabrício e João – éramos Pai e Filho – dois corações que agora de forma uníssona pulsava em uma doce melodia.

Somos uma FAMÍLIA, com todas as características que compreendem essa categoria. Temos os momentos conquistas, de desencontros, mas principalmente, pautados na perspectiva da pedagogia afetiva – e aqui temos o exemplo de Nosso Pai (sim, somos filhos por adoção também) São Francisco de Assis, construímos seguidos ENCONTROS. A adoção só fortaleceu essa dimensão.

Nesse dia 25 de maio, comemoramos o Dia Nacional da Adoção e diante desses dados apontados anteriormente, podemos observar a urgência que ainda existe em um país de tantas desigualdades, frente à garantia do direito fundamental à família. Precisamos quebrar esses estigmas sobre a Adoção. Isso é sem dúvida promover Justiça e Paz a tantas crianças e adolescente que não escolheram estar “esquecidas” em Instituições, desconfigurando seus afetos e suas individualidades. Também é promoção de Vida, pois não há verdadeira Ecologia sem os elementos constitutivos da promoção humana.

Busque informação sobre a temática, enxergue/ essa realidade. Viva às Família – Adoção muda vidas!!!


 FABRÍCIO CÉSAR M. BARBOSA  é Pai do João, Membro da OFS – Fraternidade de São Francisco de Assis – Dirceu I, Teresina/ PI. Faz parte da Coordenação Estendida da CFFB.PI/ SINFRAJUPE. Assistente Social, Psicopedagogo Clínico, Conselheiro do CRIA/PI – Centro de Reintegração Familiar e Incentivo à Adoção do Piauí;             Docente de Cursos de Graduação e Pós-graduação; Pesquisador.


CFFB Piauí

Phasellus facilisis convallis metus, ut imperdiet augue auctor nec. Duis at velit id augue lobortis porta. Sed varius, enim accumsan aliquam tincidunt, tortor urna vulputate quam, eget finibus urna est in augue.

Nenhum comentário:

Postar um comentário